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O Mercado quer Eficiência (Revista Merchandising)
O Brasil precisa crescer. Lula tem de entender que não está mais em campanha, e que portanto não há mais a necessidade de discursos populistas, e sim de ação imediata e urgente. A economia brasileira estagnou no ano passado, ficando em compasso de espera em função das eleições. O novo governo diz que colocou o Brasil nos trilhos, que nossa percepção melhorou internacionalmente, o que é verdade. O único detalhe que esqueceu é que nossa percepção tinha piorado exatamente porque Lula era visto como risco máximo no cenário internacional, levando o dólar às alturas. Desta forma, agiu corretamente ao adotar um plano espartano e extremamente conservador. Até aí, ponto para o novo governo. Todavia, tudo tem um ponto de corte, e Lula precisa assumir o seu ritmo e suas propostas originais para não perder a mão do país. A base do Brasil, que são as pequenas empresas, está corroída. A oferta de crédito a um pequeno empresário e ao consumidor inexiste. O juro elevado, que deveria controlar a inflação, está funcionando como um freio para o consumidor classe C/D/E, que só tem condições de comprar algo em 10 parcelas. Gostaria de perguntar ao novo governo se ele realmente sabe quanta gente pertence a estas classes, que representam o maior potencial de consumo do país. O povo não está comprando. E se o povo não compra, as empresas não vendem, mandam gente embora e o ciclo da crise aumenta. Os sinais de saúde do país representados por números macroeconômicos são ótimos, mas o desemprego aumentou. Sinal de alerta para consertar o rumo. Na posição de pequeno empresário há uma propaganda enganosa da disponibilidade de dinheiro no mercado. Isso não ocorre se você se dirigir a uma agência da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil ou qualquer outro banco e quiser comprar uma máquina. Vivi pessoalmente esta experiência do final do ano e sei que é virtualmente impossível financiar via Finame ou Proger, os supostos órgãos (que custam dinheiro para o contribuinte) que deveriam ter esta função. O governo não incentiva a pequena empresa a adquirir equipamentos que aumentem a produtividade e a qualidade, jogando o Brasil na posição de eterno país da agricultura. Em outros países, as máquinas acabam sendo pagas com o resultado de seu próprio trabalho. Aqui não. Ou você tem dinheiro e “se vira” ou esqueça o governo como aliado nesta luta. Se o Brasil quer mesmo exportar, e ter valor agregado em suas exportações com produtos de tecnologia, tem de colocar esses órgãos para trabalhar urgentemente, liberando o crédito para o pequeno empresário. Nosso país tem capacidade de captar dinheiro, mas não o repassa a quem produz. E tem de abaixar o juro ao consumidor imediatamente para que ele tenha o direito e o prazer de comprar, girando a economia e gerando os empregos necessários no varejo e na indústria. Se não atuar rápido, Lula não gerará os 10.000.000 de empregos que prometeu. Nem metade disso. Agora vamos ao merchandising e as promoções, representando 50% do bolo publicitário brasileiro. Insistimos que podemos gerar, dentro de poucos meses, 1.000.000 de empregos. O governo, ao que tudo indica, não tem noção do tamanho deste mercado e do potencial de gerar empregos que ele possui. Continuamos estagnados, pois as aprovações das promoções comerciais permanece em passo de tartaruga. Depois de 2000, quando assumiu esta função, a Caixa Econômica Federal retrocedeu o mercado a 20% do seu volume tradicional. Shopping centers, supermercados e indústrias tem dificuldade em promover um sorteio numa loja para quem comprar o seu produto. A Caixa entende que tem de seguir à risca a lei de 1971, tempo em que não existiam computadores, Internet, TV a cabo, FM, código do consumidor, órgãos fiscalizadores e associações como POPAI e AMPRO, com códigos de ética e comitês de ética comparáveis ao CONAR. Prefere a burocracia ao progresso de um país já tão abatido pela seqüência de golpes que recebeu. O governo tem a enorme responsabilidade de alterar este quadro, simplesmente dirigindo seus olhos para o setor. Ou altera a lei ou retira da Caixa esta função. Quando as mesmas promoções eram aprovadas pelo Ministério da Fazenda e posteriormente pelo Ministério da Justiça há 10 anos atrás, o mercado andava. Não se trata portanto da lei, e sim de sua interpretação. Com uma simples promoção que entregue brindes a quem compra um produto, a indústria vende mais, as lojas idem, o governo arrecada impostos, os fornecedores de material promocional e brindes trabalham, bem como transportadoras, promotoras, fabricantes de uniformes,etc,etc,etc. A mídia tradicional, representada por TV, rádio, jornal e revistas veicula campanhas. E o consumidor fica feliz. Todas as mais importantes associações do mercado estão em uníssono, clamando por uma solução. O POPAI (Associação Brasileira de Merchandising), a AMPRO (Associação de Marketing Promocional), a ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), a ANFAB (Associação Nacional dos Fabricantes de Brindes), bem como as maiores associações de varejo do país como APAS e ALSHOP, concordam que o tema é da maior importância e querem uma solução. É inacreditável que, com um cenário aonde TODOS ganham, 1.000.000 de empregos e todo o país tenham de aguardar a boa vontade de duas ou três pessoas que não tem noção do mal que estão causando. Retiramos apenas um trecho do ofício recebido pelo POPAI, de autoria da Caixa, em 18/02/2003: “7 – É possível que a ação moralizadora, ditada apenas pelo cumprimento da lei, tenha propiciado índices menores de aprovação, contudo, os pedidos que estão sendo aprovados não sucumbem diante do princípio da legalidade que orienta a atuação desta instituição. 8 – Até que sobrevenha nova legislação, e fique esclarecido que a Caixa tem adotado todos os esforços necessários para que seja editada regulamentação condizente com a atual realidade de mercado, a postura da Área não se afastará dos pressupostos éticos e legais presentes na Lei no.5.768/71” De fato, não é necessário se afastar de nenhum pressuposto ético e legal para agir corretamente. Os ministérios que cuidavam do assunto certamente podem dizê-lo. Desejamos sinceramente, que o governo procure essas associações, constate a realidade dos fatos e corrija o problema.
Para conhecer melhor o trabalho do POPAI, ligue (11)3284-6878 ou envie um e-mail popai@popaibrasil.com.br |