Artigo Revista Designer Gráfico

Ética para viver

O POPAI-Brasil, recentemente, finalizou e publicou seu Código de Ética, com o objetivo de regulamentar um mercado gigantesco – o do merchandising de ponto-de-venda -  que movimenta anualmente mais de US$ 1,5 bilhão em nosso país.

O merchandising é hoje a segunda maior mídia na preferência dos anunciantes e varejistas, perdendo apenas para as tradicionais mídias de massa. Suas características operacionais, extremamente complexas no dia-a-dia, carecem de regras que definam com maior clareza direitos e deveres dos players deste mercado.

Quatro anos foram necessários para a elaboração deste código, que envolveu fornecedores, agências, anunciantes e varejistas, em vitrines fechadas e individuais, para detectar os pontos de divergência e convergência entre todos. Para nossa surpresa, sete itens, traduzidos em capítulos, resumem os principais problemas que ocorrem em nosso mercado.

Primeiramente, todos sabemos que a idéia tem valor. Uma idéia vencedora que seja implementada no PDV é responsável por dramáticos incrementos de venda.

Este diferencial só é conseguido através de criações realizadas por profissionais gabaritados que priorizem o design e a praticidade, que utilizem ferramentas adequadas e softwares legais. É necessária a fabricação de protótipos e uma enormidade de recursos para se definir um projeto campeão. Portanto, o POPAI defende que uma idéia tem valor, a partir do momento em que é materializada em um suporte físico. E que este valor deve ser previamente acertado entre as partes.

Em nosso segundo capítulo, abordamos a importância da remuneração e do comissionamento. Parece pecado, em nossa economia, quando as empresas falam em lucro e remuneração. O cliente diz não ter verba; a agência quer pegar o trabalho; Embute seus custos de criação dissimuladamente na produção e o cliente paga. Em resumo, o que deveria ser claro, explícito e acima de tudo justo, acaba se transformando numa operação mascarada. O bom senso diz que quem trabalha tem de ser remunerado e esse valor acertado previamente.

O terceiro capítulo diz respeito a contratos e pedidos, no que tange ao abuso de poder. Por medo, muitos fornecedores aceitam passivamente o cancelamento de pedidos por seus clientes, sem nenhuma justificativa plausível, o que conota o uso da força sobre o mais fraco. Além de inaceitável, é um desrespeito ao profissional e à economia.

O quarto capítulo alerta para a ética nas concorrências, prejudicadas pelo leilão, aonde informações privilegiadas são passadas de um fornecedor para outro, sempre com o objetivo de se obter o menor preço.

O quinto capítulo se refere ao sigilo empresarial, mais especificamente sobre a espionagem industrial, aonde condenamos o tráfico de informações de uma empresa para outra, visto que a informação é patrimônio exclusivo da empresa.

No sexto capítulo, abordamos a importância da isonomia de impostos para o mercado, visando evitar distorções entre indústrias que a priori deveriam possuir os mesmos encargos. E por fim, o capítulo sete versa sobre o respeito ao profissional e aos direitos humanos, dado que sabemos que ainda existem pessoas e empresas que empregam mão de obra infantil, escravizam e humilham seres humanos– o que definitivamente, o POPAI condena.

Nestes sete tópicos temos a síntese do que deveria ser óbvio, mas não é. O mercado precisa de um norte, uma instância mais rápida a que possa recorrer, para desde já, ocupar o lugar de honra a que tem direito. O primeiro passo foi dado, e logicamente nosso código terá de evoluir. Queremos ser, para o merchandising, o que o Conar foi para a propaganda, uma mola de progresso e auto regulamentação, que atenda aos anseios dos 4 pilares: anunciantes, varejistas, agências e fornecedores.

Cabe agora, a todos nós, garantirmos o sucesso desta iniciativa.

 

Ronald Peach Jr. / Presidente POPAI-Brasil

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